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Apropriações

Tadeu Chiarelli Santander Cultural, Porto Alegre, 2002

Num primeiro olhar, esses trabalhos do artista pouco ou nada parecem trazer de inusitado. Pelo contrário: típicas pinturas naturalistas dedicadas à fauna, de início, o único fato a estranhar é esses trabalhos aparentemente de cunho didático ( parecendo terem sido feitos para velhas aulas de biologia) estarem numa exposição de arte contemporânea. No entanto, quando nos postamos frente a essas imagens meticulosamente pintadas, vamos percebendo aos poucos que ali não se trata exatamente de representações naturalistas de animais que povoam o cotidiano das matas do país.

Na seqüência, percebemos também que , de fato, a verdade supostamente inerente à estética naturalista não passa de um mito passível de ser questionado por um talento mais perverso. Como se tivesse deixado se impregnar pelo espírito de um artista viajante europeu ou americano do século XIX – tornado completamente louco frente à exuberância e ao esplendor da natureza brasileira – , Walmor B. Corrêa pinta seres totalmente improváveis , muito embora possuam uma familiaridade tornada horripilante.

Híbridos de mamíferos e insetos , pássaros e peixes , mamíferos e aves , mamíferos e peixes, esses seres criados por Walmor B. Corrêa falam de um mundo fantástico, representam a taxidermia de uma fauna fantástica que perturbam nossa percepção , sobretudo pelo fato de que , na atualidade, eles não se apresentarem mais como meras alucinações artísticas , mas como possibilidades científicas… …esse arquivo de animais metamorfoseados e representados nas pinturas de Walmor B. Corrêa desafia nossa crença na verdade da estética do natural, embora, como foi dito , sinalize para uma natureza transformada em puro artifício e arbitrariedade.