No momento que voltei ao meu estúdio, comecei a questionar as minhas impressões
sobre a natureza, a evolução e a ciência. Foi então que surgiu a série de
trabalhos intitulada Catalogações/Coleções, na qual eu criei pequenas pinturas
de insetos imaginados por mim em sua morfologia, anatomia e nomenclatura. Também
usei alfinetes de verdade fixando as espécies nas telas, que foi exposta em um
móvel entomológico feito de acordo com a tradição dos Museus de História
Natural.
Após este projeto, voltei a pensar em minhas experiências anteriores no
laboratório de ciências da escola - aqueles templos de silêncio e morte. Me
alimentando dessas memórias e estudando os postulados da Teoria Evolucionista
criei os Dioramas Cartesianos, "grandes telas com múltiplos animais ambientados
em uma natureza quase etérea, mas com espaços individualizados, onde cada um
ganha destaque próprio."(1) Mais uma vez presente a citação aos museus de
história natural onde os Dioramas continham animais empalhados dispostos em um
cenário que imitava seu habitat e compunha um recorte de sua existência no
mundo.
(segue)